terça-feira, 15 de dezembro de 2009

E se vão os amigos
E se vão as promessas
E se vão os momentos
E se vão as histórias
As idéias e planos
Mirabolantes e insanos
As grandes criações
E estranhas invenções
E se vão os amores
E se vão os dessabores
E se vão as tristezas
E se vão as alegrias

E se vão... em vão...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009



ENTENDER


Sopro solto de verão
Abismo sem um mar
Me pergunto se verão
O altíssimo desandar

Sopro solto de inverno
Água adentro vou nadar
Com um gosto de inferno
Pra areia borbulhar

Sopro solto de outono
Crie tudo que quiser
Chega até me dar sono
Fantasia o que vier

Sopro solto de primavera
Não tem como consolar
Já que tudo que espera
É um sonho pra te salvar

Fico aqui a entender
Com quatro estações distintas
Teu inverno faz a neve derreter
Como espera que me sintas

Não temo nenhum girar
E nem a tênue aspereza
Mas não quis me adentrar
Nas estações da incerteza

domingo, 29 de novembro de 2009

Sombreada por folhas gigantes
Assobios cantarolantes
Tu vens até meu recanto
Invade
Sopro divino
O Criador em um momento
Chamado de vento

Bagunçando as folhas
Movendo os teus cachos
E brincando com os panos
Teu lugar não é aqui

Um vendaval
Criação de uma angústia
Cores fibrilantes do carnaval
Em uma mente inconstante
Que quer constar em um instante

Não temo o vendaval
Nem tua inconstância
Temo os trovões
No meio da ventania
Pois retiram as cores
E acabam com a alegria

Mas como tua própria essência
Tendes a passar
Mesmo que lamentes
Fugindo de se amar

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um movimento brusco e tudo fica borrado


NANQUIM


Foi-se o tempo da certeza
Da espera de um lugar
Um recanto da tristeza
Uma vida sem luar

Com teus traços rudes
Marca teu território
Com papel espera que mudes
Que me retire do purgatório

Mas um passo em falso
E pronto
O tinteiro derramado
Marcas de nanquim no papel
O dia ensolarado
Enegreceu
O passado que você não esqueceu

Me faltam folhas
Para recomeçar a história
Queria apagar da memória
O desenho em preto e branco
E colocar talvez
Uma luz de sensatez
Em tons de amarelo-ouro

Caligrafia artística
Bote o teu nome no canto
E não espere algum espanto
Se ele já estiver por lá
Sensação mística
De que um milagre aconteceu
O branco entrou no preto
E o ouro se intrometeu

Com esta carta negra de tinta
Espero que enfim tu me sinta

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Cercado

AVES DE RAPINA


Para um transeunte
É apenas a natureza em ação
Esperam que eu me junte
Pegue os pedaços do coração

Chega um momento
Que se entristece
Sem nenhum intento
Simplesmente... acontece

E os males ficam a espreita
Como aves de rapina
A pessoa mal suspeita
Quão trágica será a tua sina

Basta um segundo
Um leve dissabor cotidiano
E você atrai todo um mundo
É muito fácil ficar insano

Já nem sei do que reclamo
No solitário momento de tristeza
Talvez seja isso que eu amo
Viver imerso na incerteza

E no escuro da meia-noite
Rezo pela redenção
Dos pássaros e teu açoite
Mas só encontro decepção

Como um prédio desmoronado
Ande nem vigas se firmam
Fico aqui desgastado
Pelas mazelas que se armam

Amargura sem igual
Mas... logo passa
Até o próximo vendaval
Não importa o que faça

Mais uma vez...



DÉJÀ VU


Mais uma vez conta-se a história
A história conta-se mais uma vez
Conta-se mais história uma vez
Uma vez conta-se mais história

A repetição da repetição da repetição da repetição...
Farto
Sentimentos tolos e indisciplinados
Que teimam em me fazer de idiota
Mares vermelhos são cortados
Tudo soa como uma anedota

Mais uma vez...
Mais uma vez...
Mais uma vez...

Brinco de repetir o repetido
E busco nisso tudo um sentido

No final a lembrança plena
Serei apenas uma página virada
Aonde as cores permanecem na retina
Mas minha pintura é tão inacabada
As mãos que folhearam o livro outrora
Agora buscam uma vida mais serena
Antes este sorriso de menina
Era meu

As cores mal feitas
Que não encontrarão um lar
Mas eu sei que amanhã
Meu capítulo estará também virado
E minhas malas nem estão desfeitas
Pois o novo conto já estou a relatar
É idêntico ao anterior
Isso me deixa inconformado

É o retrocesso
Repetir o processo
A sensação de regresso
E só o que peço
De você nunca me despeço...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ainda bem que é quase imperceptível



SUSSURROS DE UM EGOÍSTA


Lamentação constante
Porém olhe pro lado
Não verá uma fonte de lamento
Mas a boca incessante
E o olhar cabisbaixo
Já entrega o veredicto
És um egoísta convicto

Reclamar do reclamar
E o vazio esvaziar
É a lida diária
Contemplação exclusiva
Do negativismo
Um grande niilismo

Me sinto culpado
Tanto a celebrar
E o poço ainda me atrai
Me sinto cansado
Tanto a completar
E o vazio me esvai
Me sinto soterrado
Tanto pra alegrar
E meu corpo me cai

Nos momentos de angústia
Apenas a certeza fúnebre
De uma incerteza
Me falta grandeza
Até para certo estar
E então sussurro para mim mesmo
Num sopro infinito do lamentar

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Meu novo chão




CACOS


Ando descalço por cacos
E gosto do barulho
Uma sensação gostosa de quebrar
Dor é para os fracos
Intacto
Neste espaço compacto
Está o que preciso

Espelhos infinitos
Criados por mãos humanas
Homens brincando de divino
Meus olhos ficam esquisitos
Mas passa
O susto de menino

Minhas pegadas marcam
Como palavras ao relento
Embora tenha aqueles que olham
Só ouço o farfalhar do vento
Solidão
Me faz companhia
E se sente só

Com os cacos monto quadros
Imaginários
Tenho várias imagens
Para agradar os ordinários
Bastardos mentirosos
Cuspo em todos
E rio dos olhares raivosos

Cansa-me caminhar pelos cacos
Mas não tenho escolha
Pra poesia falta-me folha
Compor o fim da melodia
Mas se o papel a vida não fornece
Vidro ela dá em demasia

domingo, 13 de setembro de 2009

Que saco viu

Honestamente, vejo esses últimos trecos que escrevi, e se tivesse coragem ou masoquismo suficiente, me daria uns socos. Quanta baboseira sentimentalóide e depressiva.

Pra contra-balancear tanta viadagem:




E isso: http://www.youtube.com/watch?v=L38d8P6Y8rU

Obrigado.

sábado, 12 de setembro de 2009

Até mesmo por eles..



ESQUECIDO


Basta um segundo
Um milésimo de momento
E lá vem o esquecimento
Não sou mais que um moribundo

Levante de seu encosto
Teu medo já foi exposto
Então não há o que lamentar
Só resta fugir para o luar

Ser esquecido pelos esquecidos
Esse é o pior momento
Passos tristes e enfraquecidos
O vendaval é o que enfrento

Se faça de vítima incondicional
Grite como um irracional
Mas apenas para si
Você olha minha dor e ri

Talvez tenha um sentido
No sorriso de crueldade
Não basta ter vivido
Sem sentir uma saudade

E falta mesmo eu só sinto
De esquecer que não existo
Mas é claro que eu minto
Não sei nem porque insisto

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Nem adianta ir contra


O INATIVO


E você bate os pratos
Grita e sapateia
Insiste nos seus atos
Eu sei o que anseia

Oito ou oitenta
Com longos períodos de oito
Um garoto muito afoito
Uma alma muito atenta

Mal largou as vestes antigas
E das suas velhas cantigas
Insiste que deve renovar
Deve ser hora de mudar

Mas o corpo dita leis
Que o coração não entende
Ambos são teus Reis
Pegue as falas e remende

Após muita lamentação
Um período de aridez
Sinto toda a escassez
De uma mínima emoção

Entendendo a paralisia
De um coração inativo
É nessa falta de histeria
Que não vivendo eu vou e vivo

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

E um dia falaram por aí




VIVER O SONHAR


Deitado em meu leito
Inerte
A realidade se inverte
E brinca com seu trejeito
De força manipuladora
Criando uma cama sonhadora

Eu sonhei
Um sonho cheio de sonhos
Nenhum deles me pertencia
Em minha solitude
Sozinho permanecia
E sonhando eu sonhei
Em ter vários sonhos

Alguns anseiam por ter
Outros por ser
E mais uns por fazer
Eu só queria desvanescer
Desaparecer
Como o vento, espairecer
Passa rápido, todos sentem
Mas em um instante
Todos estão a esquecer

E como vendaval imaginário
Iria fazer algo extraordinário
Lhe visitar nas tardes de verão
Será que teus amigos me verão?
Espero que apenas me sintam
E quando perguntado sobre mim
Apenas mintam
Que não viram nada

Miríade fosca de imagens
Cores selvagens
Não entendo as mensagens
Mas nada me importa
No fim o que conforta
É que logo irei acordar
No mundo real
Não tenho que sonhar

sábado, 29 de agosto de 2009

Maldito contador de momentos...




TEMPO

Senhor de todos os caminhos
Lei da impermanência e transmutação
Tão extenso quando estamos sozinhos
E veloz na animação

Relógio guia
Que diz que a vida
É em apenas uma via
Do começo ao final
Como ter um livro
E acabar em só uma lida

E no fim
Apenas resta a questão
Pra que diabos eu vim
Não vejo explicação
Para o que eu tenho sentido
A sensação de tempo perdido
Tanto pelo pedido temporal
Como pela dedicação incondicional

Tempo constante
Dançante
Ri da minha descrensa
Cantarolante
E ainda tem quem pensa
Em usar relógios nos braços
Hilariante
Sentir os pulsos no pulso
Sensação ilusória de controlar
Desconcertante
E o tempo inexistente passa a me arrastar
Seu sorriso é falso
E me entristece
Agonizante
Me esquece
A prece
Sufocante
Mais tempo adiante
Adia ante
Uma arte de evitação
Barreira no coração
Um coração em couraça
E o tempo me despedaça
Em montantes de areia
Teu olhar que semeia
Angústia em ponteiros
Lembranças modificadas
Alegrias inacabadas
Os minutos mudaram as cores
E agora só há dessabores
Lendo esse desabafo
Num extenso parágrafo
Pergunto se toda a tua cena
No fim valeu a pena

Despedida involuntária
Mas foi necessária
Esse é meu adeus definido
Para um medo mais que descabido

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Um pedido de ajuda


PRECE


Faço uma oração desesperada
Porém para mim não peço nada
Desejo apenas que haja compreensão
Bem no fundo do seu coração

Sei que teus olhos buscam este recanto
Ainda sente um pouco do encanto
Mas já basta
Sua dor nefasta
Irá cobrar o preço de ser traído
A lamentação dum anjo caído

No momento de maior dor
É quando consigo me impor
E ajoelho sem ressentimento
Não dou voz pra este sentimento
Mãos unidas com um motivo
Mostrar pra ti que ainda vivo

Num mundo cheio de tristeza
Onde o mal é a maior grandeza
Talvez seja um ato egoísta
Apenas querer o bem
De um alguém
Peço que não insista
Que pare com minha prece
Mesmo sabendo
E até entendendo
Que logo você me esquece

Mas que não perca da tua mente
O ensino de braveza
Lição pra que tu enfrente
A mais forte correnteza

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Como água e óleo...




AMOR E MEDO


Fala-se de amor constantemente
Como uma matraca
Incessantemente
Um barco de idéias que se atraca
No cais do senso comum
Em toda minha honestidade
O de muitos não me traz apego algum
Buscam extrema facilidade

Fala-se de amor constantemente
Na espera de um consolo
Eu lhe afago vagarosamente
Buscando afugentar o medo
Mãos que tentam afastar o dolo
Porém
Este é sólido como um rochedo

O amor não mata o medo
E o medo elimina o amor
Isso pra mim não é segredo
Mas é algo que causa muita dor
Buscando sempre uma reparação
De um passado descabido
Perde-se o reparador
Sem perceber que o teve perdido

Fale então de amor
De forma constante
Mas fale de forma vibrante
Sem se entregar ao temor
A lamúria de um final
Pode se tornar real
E chorar do que era criação
Será sua única opção

domingo, 9 de agosto de 2009

Nadando pelo ar...




GOTAS


Maldito teto permeável
Lhe condeno a execução
Não sou nem um pouco maleável
Mas fiel ao coração

Por suas frestas navegam
Mil gotas todo dia
Pontos de água que trafegam
E caem na maior alegria

Me sentia numa perfeição fajuta
E subitamente o som conhecido
Gotas no chão bagunçando minha labuta
Trazendo tudo aquilo que foi esquecido

Acode o chão e ponha uma bacia
Salve-o deste gotejar
Solo vermelho como melancia
Que desanda a lamentar

Fico olhando a goteira
Não adianta meu praguejo
O céu não tem uma torneira
Isso é tudo que desejo

Que fechem as portas do divino
E então parem as trovoadas
Pois trazem meus medos de menino
Medo das coisas abandonadas

Água que apaga o fogo
Então dorme menininho
Vê se esquece esse jogo
De no fim sempre ficar sozinho

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Soltos no paraíso



DESCRENSA


Ouvi dizer outro dia
Numa conversa entre anjos
Que todos nossos desarranjos
Geram apenas agonia

Ouvi dizer outro dia
Numa conversa entre anjos
Que só encontra a verdadeira alegria
Aquele que enfrenta a dor
Que é tão forte quanto cem marmanjos
Prontos pra lhe encher de pavor

Ouvi dizer outro dia
Numa conversa entre anjos
Que quando se ama vale a pena
Não tem como hesitar
Mas sempre há quem encena
Uma ópera que faz chorar
Quando o tal amor empena

Nesse mesmo outro dia
Na mesma roda de anjos
Me falaram "Não tema"
Que eu devia dar perdão
Pra quem foge de problema
E não podia achar bobagem
Aquela clara falta de coragem

Eu disse que achava complicado
Seguir este conselho sem igual
Estou por demais traumatizado
Nem mesmo a força angelical
Parece dar conta dessa descrensa
Será mesmo que compensa
Amar e rezar
Para que a dor não apareça
Ou na solidão lamentar
De temer que ela cresça

Então nesse dia
Vieram até a mim os anjos
E clamando por harmonia
Tocaram trezentos banjos

quinta-feira, 30 de julho de 2009

No fim foi só isso



GRANDE ENGANO


Caro jovem
Devo lhe dar um recado
Você é sentimental
E isso é um grande pecado

Ao contrário da maioria
Sente-se em demasia
Embora soe como virtude
É algo que lhe causará inquietude

Passar por cima das adversidades?
Esqueça
Irá sentir cada segundo
E saborear cada pedaço desse mundo
A dor em várias infinidades

Se tornará insuportável
Na sua lamentação
Então aproveite a solitude
Pois não haverá aquele
Que irá tentar uma reparação

Tens o dom de entender
Pintar todas as faces humanas
Sente tudo que lhes motiva
Mas sua percepção ativa
Só irá lhe frustrar
Ativamente

Prepare-se para ser o escoro
Virão sem o mínimo decoro
E agora você é um cabide
De dores e desamores
E nunca conseguirá que revide
Todos esses dessabores

Mas o pior ainda está por vir
É o tal de "Eu te amo"
Quando esta frase você ouvir
Irá até perder o rumo
Pois procura desesperadamente
Um outro
Pra que sintam coletivamente

Porém esse outro é incerto
E se você for esperto
Não lhe dirá uma palavra de amor
Pois tudo que seguirá no fim
É uma torrente de dor
Pois se hoje ama-se com certeza
Amanhã já não sei pra que vim
E se inunda nos mares da incerteza

E quando tudo termina
Jovem que padece
Resta apenas a ti
E isso me entristece
Guardou tanto para si
Tanto dor quanto alegria
E lamentar não era o que queria

Sinta só
É o que aconselho

Sinta só

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Após momentos de agonia



VEM A LUZ


Minhas proibições que se falam tanto
Meu som amargurado do pranto
As dores inócuas em meu peito
E a total falta de respeito
Estou dilacerado

Já são duas da matina
E a idéia me atina
O sofrimento é opcional
A dor não é
A dor é o produto final
Mas sofrer
Vai do seu merecer

E magicamente
Uma luz se brota na mão
Tento capturá-la
Em vão
Ela não é minha
Ó idéia tão mesquinha
Querer insidiosamente
Pegar a iluminação e roubá-la

Malfeitos perfeitos
De um caminhante
Meu caminhar desfeito
Pela alegria constante
De errar e lamentar
Mas conseguir me firmar
Para seguir adiante

E a luz do firmamento
Ameniza o meu lamento
Para aqueles que duvidaram
E até criticaram
Abandono a mortalha sombria
E a escrita vazia
Pelo jardim
E o beija-flor
Pra que sentir dor?

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sopros e sons



CONSORTE


Acaba a folha
Tento virar a página mas
O caderno chegou ao fim
De espanto digo "Ai de mim!"
E minha poesia inacabada
Como fica?

"Não se preocupes"
O sibilo congelado
Vem assim, meio de lado
Não pareço ter sorte
É a morte
Com sua presença forte
Anuncia que tem chegado

"Não pode terminar o sonho de um poema"
Tento, em uma fútil argumentação
Muito tenho para escrever
Sinto-me cheio de vida!
"Isso não deve ser um problema"
Vem a Morte me dizer
"Ainda tem muita coisa a ser lida"

"Mas as minhas rimas são diferentes!"
Clamo, em desespero
"Não são", retruca o Ceifador
"São os mesmos contentamentos descontentes"
E a fala me falha
"Se sua pena só cria curvas sinuosas de tristeza"
"Se flertas tanto com o sepulcro"
"Não deverias temer quando a morte é certeza"

E então, de sobressalto
O grito
Baixo, porém logo se torna alto
E então, as lágrimas
Não há morte do meu lado
E eu entendo o seu recado
Morri antes mesmo de morrer
Ao viver uma vida sem viver

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Um poema não muito convencional



SEUS PEITOS


Peitos
Tão perfeitos
Que vem em pares
Alegria
Do tamanho dos mares

Em sua perfeição simétrica
Ou em alguns casos
Faltando um pouco de métrica
Reside atrás o coração
Um calor sem descrição
Me percorre
Quando me aconchego
Neste canto de apego
E minha tristeza morre

Mãos que deslizam
E me avisam
Aqui está o centro de tudo
Sentir isso
Por vezes me deixa mudo

Recanto acalentador
Não tenho nenhum pudor
De cultuar esta parte feminina
Basta um olhar
E pronto
Tudo se ilumina

É no carinho sincero
Ou no beijo com paixão
Sinto algo que espero
Que traga algum calor
Ou um pouco de emoção
E falo sem pudor
Mostre aqui os seus peitos
Tenha certeza
Eles vão ser aceitos


(haha fiz isso pra tesatar minha criatividade, acho que ficou até bom)

terça-feira, 2 de junho de 2009

A abnegação


O enforcado. Símbolo de entrega, negação de si, a verdadeira martirização.

Eu me enforco várias vezes, e desejo uma platéia.

Porém, não quero uma falsa sensação de leveza. Quero a glória verdadeira, destinada para aqueles que superam seus anseios e desejos, sua futilidade e mediocridade.

Queria conseguir escalar as montanhas mais altas, atingir o cume de cada uma delas. Apenas para sentir mais perto de algo superior.

Mas quando falta uma platéia, as vezes as coisas perdem a graça. Pra alguns, a platéia é mais importante que a escalada.

Eu era assim.

Constantemente olho pra esses meus escritos, e agora tento achar um novo rumo para eles. Se antes reclamava de que me faltava tristeza para escrever, agora comemoro: falta-me tristeza para escrever!

Porém, estou me esforçando para escrever de alegria. Poemas alegres parecem irrelevantes, sem profundidade. Porém, não seria essa uma forma de valorizar demais a dor e sofrimento?

Valorizamos demais nossos sacrifícios diários.

Então, enquanto me enforco, um poema bobo e simples para, quem sabe, ser o início de uma mudança de ares:



O GATO


Já diziam os antigos contos
Que quando nasce um felino
O céu diz "Eu te ilumino!"
E o gato se enche de graça
Um contraponto
Para um mundo que se prende na desgraça

Pequenos passos cambaleantes
Olhares suplicantes
Pedindo amor
Uma pequena bola de pelos andante
Que a qualquer instante
Será um exímio caçador

Brinca com o ratinho
Mas não por crueldade
Ele só sabe este caminho
Quem quiser julgar
Ou até condenar
O fará por pura vaidade
Futilidade em demasia
Recriminar tamanha alegria

Dizem que eles tem sete vidas
Idéias que passam despercebidas
Pois esta é uma numeração divina
Quer maior confirmação
De que algo ilumina
Esta cuidadosa criação?

Sob a luz da lua
Todos se põem na rua
E cantam para homenagear
O brilho tênue do luar
Que são uma eterna lembrança
Da luz que os banha
E traz a esperança

sábado, 30 de maio de 2009

Um conto de agonia




SOMBRAS



Três da manhã no relógio. A hora maldita.

Levanto, e corro para a janela. Faço questão de perceber se ela está bem travada. Se a cortina tampa totalmente o vidro. Se não existe uma fresta que seja.

Então, um arrepio percorre minha espinha. "A porta!"

Olho para ela. Mas o carpete é meu protetor. Ele está lá, enfiado pela fresta que se forma na parte de baixo dela. Nada entra.

Tola esperança. Eu sei disso. Me apego ao material, mundano, como forma de proteção.

Três e dez. Já? Quantos devaneios me consumiram nestes minutos...

É assim toda noite. As miríades sombreadas que se espalham pelo quarto, lentamente, invadem minha cabeça. O breu não é mais apenas um vazio. Ele se enche de formas.

Eu escondo debaixo do cobertor. Minha mãe está tão longe!

A dança soturna então se inicia. Agora, é um pássaro, da cor do ébano, que dispara a voar. Ele sai debaixo de minha cama. Posso sentir a coberta se mover quando ele sai de lá. Meus sentidos aguçados enviam sinais de perigo até a mim. Estou sendo invadido! Mãe, por favor, abra a porta...

E então, o atrevimento. Olho pela coberta. Eu sei, eu sei que estão ali de fora. Mas, em um vão pensamento de segurança, me ponho a observar o exterior.

E os contornos sombreados em volta de minha cama abrem os braços. Me dão boas vindas. Estou no mundo das trevas agora.

Estou no mundo do medo.


Um súbito barulho. No telhado! Deus, por favor, tire essas coisas daqui...

E corro para dentro do manto protetor que me envolve. Tremo de horrores, com as criações de uma mente infantil.

Não tenho mais a asa protetora de minha doce criadora.

Estou aqui, sozinho, lutando contra meus pensamentos.

"É só imaginação".

Eu digo para mim mesmo, incessantemente. É só imaginação. Nada disso está acontecendo. É medo. Minha mãe já dizia. Eu não estou vendo alguém conversar comigo, falando do marido grosseiro que lhe espancava. Aliás, eu nem sei o que é isso.

Eu não vejo todas as noites o balé trevoso que gira em torno da minha cama.

Eu não sinto o toque frio e pegajoso de criaturas desformes e de orientação que não conheço.

Não existe a fantasia. Não existe o mágico, o bizarro.

Existe apenas uma criança medrosa, escondida debaixo do cobertor.

E ela reza pra que a noite passe logo...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Cultivá-los... ou renegá-los?

SONHOS


O que é um sonho
Se não uma sequência incessante de decepções
De desilusões
Momentos que me deixam tristonho
Ataques de fúria
Em nome de um pensamento
Uma vã filosofia

Tão difícil de alcançar
Imaculado
Tão difícil de cultivar
Me sinto despreparado
Tão difícil de se dedicar
Um caminho inacabado
E tão difícil de se consolar
Do sonho não alcançado

O que é essa angústia
Uma tristeza sem nome
Maldizeres que me cortam
Vida frustrante que me consome
O caminho para seguí-lo
É tão doloroso
Quanto a ação de ignorá-lo

Maldito seja você
Habitante de meus anseios
E receios
Odeio a sua existência
Morador de minha consciência

Fala-se de perseguir o sonho
Como um cão caça um gato
Mas ouço isso e dou risada
Na minha vida isso é fato
Detesto poder sonhar
Mas ficar aqui entregue
Por não conseguir realizar
Aquilo que me persegue

domingo, 26 de abril de 2009

Se é que existe



O VALOR DE UMA SOLIDÃO



Muito se fala de companheirismo e de amizade
Porém questiono se alguém fala de solidão
O "ão" na palavra aumenta sua dimensão
Exagera-se esticando o ficar sozinho
Por toda a infinidade

Pergunto a cada um que isto lê
O quão sozinho você se sente
E se vê
O quanto consegue suportar
Sem que lamente
Um momento a sós consigo mesmo

Busca-se tanto um abraço
Um outro para apoiar
Porém há momentos que me desfaço
Quero mesmo é o isolar

Coberto por meus mantos
Eu não entro em prantos
Na verdade dou risada
Afinal
Reclamo tanto do vazio ao lado
E fico agora
Sem querer ser importunado

Não é que os outros sejam culpados
Esse é um veredito que só cabe a mim
Buscando preencher meus elos descoordenados
Falar da vida e ouvir um sim
Mas ao menos pelo momento
Esse é o meu intento
Ao meu lado
Só o silêncio
Estou aliviado

terça-feira, 14 de abril de 2009

Erros e lamentos



ECOS


Sozinho estou neste banco com vista para o mar
Mágoa que cresce por dentro e me consome
Difícil é aquele momento de agonia aonde tudo some
E então tudo que consigo é lamentar

Falhas geradas por um senso imperfeito
Eu só queria no fundo é a felicidade
Mas que doce ilusão
Não devo dizer nada a respeito
Odeio o seu olhar de piedade
Prefiro meu banco que alimenta a solidão

Será que foi um erro o que fiz
Um abraço que teve seus custos
Você fala que esquece mas depois se desdiz
Quero sair correndo pela grama dos pastos

Devia apenas voar pelo mundo
Não dar trela para estes medos descabidos
Mas lá vem você com seu mando
Toma meus presentes recém recebidos
Mas não posso lhe culpar
Pois tem razão de me detestar

Vozes susurram pelas minhas costas
Não tenho como emitir respostas
E é isso o que causa mais dor
Pois suas palavras ecoam
E ressoam
Chegam a mim com todo ardor

Minha família que funciona
E também não tarda a falhar
Falar disso é algo que me emociona
Honestamente eu só quero é chorar
Quero saber aonde fiz errado
Será que podia ter consertado

Mas o tempo não retorna
Só o que volta
São os ecos
Do passado que foi regado
Na mais pura água morna

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Arte estranha

Só postando um vídeo estranhamente belo.

E mais uma vez...





FALTA


Falta pouco
Um pouco de esperança
E eu aqui ficando louco
Abraçando a minha criança

Porque ainda se dispõe
É algo que não entendo
Não vê que estou tentando
Você nem se opõe

Comodismo
Rima com modismo
E tem um pouco de moda
Tão velho
Quanto a invenção da roda

Não posso ser
Muito além de mim mesmo
Parece não entender
Vejo você pasmo

Procura em mim
Algo que falta em si
Na sua ânsia sem fim
De preencher o vazio em ti

Por essas rimas disformes
Não espero que se conformes
Só posso lamentar
Pela falta do que faltar

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Um pouco de insegurança

DESEJO


Me pergunto se sou lido
Será que me reparam
Alguém me ceda o ouvido
Palavras que se comparam

Nesta de querer atenção
Uma dose de inconsistência
Sinto-me na obrigação
De me desculpar pela insistência

Deve ser um mal de quem escreve
De quem canta ou de quem atua
Espero que este mal você releve
Minha dor também é sua

Tantos conflitos existenciais
Uma adolescência permanente
Mas falo de coisas fundamentais
Basta você não ser descrente

Sua pele exposta
Olhos que buscam resposta
Riscos dolorosos
Entregam ares pesarosos

Fale o que quiser
Negue se puder
Mas pelo que tenho entendido
Você também quer ser lido

segunda-feira, 23 de março de 2009

Auto-crítica

PALAVRAS



Uso poucas palavras
Nas frases
Pra relatar
Todas as minhas fases
Repito várias até a exaustão
Precisava de um dicionário
Melhorar minha criação

Uso poucas frases
Nos meus escritos
Sigo sempre meus ritos
Construindo minhas rimas
Meus vícios são como imãs
Atraem sem perdão
A repetição

Uso poucas idéias
Na minha textualização
Perceba eu repetindo
O truque da continuação
Começo igual se seguindo
Tudo jogado em valas
Minha insegurança regrada
E a última linha colocada
Não encaixa nas outras

Uso tanta coisa
Porém é tudo igual
Mas eu só conheço um jeito
Não faço isso por mal
Meu sentido imperfeito
Me diz pra fazer assim
E me imito sem fim
Mudar parece impossível

Tanto nos temas
Quanto nas formas
Os mesmos esquemas
E também as normas
Aquilo que crio
Reflete o meu eu
Agora faz muito frio
Coração se adormeceu
Porque são duas da manhã

quinta-feira, 19 de março de 2009

Rufem os tambores




MARCHA DA SOLIDÃO


E eu que fico aqui sentado
Prostrado
E eu que fico entregado
Esquecido em meio a um véu de sombras

E eu que fico aqui sentado
Surdo mudo e cego
Eu tento
Me desapego
Mas nada adianta
Me entrego

E eu que fico aqui sentado
Risadas forçadas
Faces maquiadas
Falta pouco para desistir

Em meus cantos
Desafinados
E escondidos
Aonde passo dias a me crucificar
Sendo que bastava não bater
Os pregos

Um mar entre os pontos
Impossível se conectar
Linhas não traçadas
Porém planejadas
E não executadas

Canto só a minha marchinha
Mas sei que outros aí
Fazem os seus cantos
Abarrotam-nos de sentimentos
Desgarrados
E montam suas cruzes
Com cobertas na janela
Para tampar as luzes

E enquanto eles se escondem
Fico aqui pensando
Porque eu fico aqui sentado
E não estou caminhando

domingo, 15 de março de 2009

Momento raro




ENTREGA


Diante de minha barreira
Luz de um candelabro
Eu me abro
Ignoro minha cegueira
Faço o impossível
O infazível
Que é o fazível inventado
Meu caos interno apartado
Inventando em cima
De algo já criado

Choro não por faltar um riso
Mas por receio
Veja que eu friso
Peço o que anseio
Um momento de paz e sossego
Envolvido por seu apego

Não é algo de tanto valor
Vale menos de um centavo
Mas com ele sinto tanta dor
Pra dentro eu escavo
Só queria um cantinho
Bem quentinho
Aonde você pudesse chegar
E quisesse ficar
E quisesse...

Agora que já fiz a entrega
Não tem volta
Um segundo
E pronto
Sinta minha revolta
Minha fúria que lhe prega
Por bagunçar o meu mundo
Tonto

Se for jogar fora
Pra sair mundo afora
Deixe uma nota pregada
Feito uma pegada
De que alguém segurou
Tal coisa tão inválida
Sabendo que não se importou

Na nota por favor
Escreva de forma direta
"Não quis este bem imprestável
Me causou muita aflição
Tentei de forma imensurável
Apaziguar este coração
Mas por dentro ele é tormento
E não suporto mais tanto lamento
Para aquele que ousar
Ter a audácia de o segurar
Fica aqui um aviso
Seu mal é sentimental
Farpas de um jeito preciso
Cuidado é fundamental
Ao manusear esta peça
Por menor que ela meça"

sábado, 14 de março de 2009

Ciclo sem fim




O GRANDE IDIOTA


Falo de meus pecados como se não fossem remediáveis.

Você ouve quieto, amuado, e eu disparo a falar.

Sem concessões, eu exponho minha loucura, minhas luas e sóis desconexos, meus ganidos de dor e tristeza.

E você ouve quieto, amuado...

Quanto mais me abro, mais mágoas causo. Saltos sem nenhum sentido. Um balé insano. Trafego entre minhas vias, mão e contra-mão, enquanto falo sem perdoar seus ouvidos.

Desesperado, ponho a cuspir todos os dessabores, os desamores, angústias e temores, meus sonhos mais insanos.

Meus planos e percepções, os tapetes persas que traço mentalmente. Meus jogos de quebra-cabeças, cheios de peças em forma de pessoas.

Falo de você, dos outros, falo de todos. Grito de ansiedade devido a teus defeitos. Tuas palavras, teus olhares insensíveis, que me marcam a brasa, que cortam.

Falo sem dar brecha. Não para você. Mas para mim.

Falo para não ter que pensar. Preencho o silêncio com palavras desconexas e insalubres, para evitar o vácuo.

Falo para fugir de minha verdadeira angústia. Falo para não ter como ser obrigado a olhar para dentro, e perceber os meus túneis escuros, com caminhos complexos, labirintos sem fim

Falo para que você não diga "Eu te odeio".

Falo para que eu não diga "Eu me odeio".

Cansa-me tanto falar.

Cansa-me tanto fugir.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Águas que me levam

MAR ADENTRO


Quando o mundo acabar
Você vai fazer falta
Saudades de te tocar
De rir da sua voz alta

Quando o mundo acabar
Eu quero um grande abraço
Nada disso vai importar
Exceto o que desfaço

Quando o mundo acabar
A música será eterna
Não precisaremos falar
Felicidade é interna

Quando o mundo acabar
Não sentirei mais seu toque
E irei lamentar
Uma falta de enfoque

Quando o mundo acabar
Vou abrir o meu antro
Coração a se desmontar
E nadarei mar adentro

Nessas águas sem amor
Eu me afogarei
Sem ter pena da minha dor
Pro fundo eu irei

E então nada tema
Esse é o meu problema
Mal posso esperar
Pra quando o mundo acabar

quinta-feira, 12 de março de 2009

O errado do errado do errado

TROPEÇO


Falho
Nas minhas mãos um retalho
Falta pouco pra viver
Mas já era
Antes de perceber
Destruo tudo sem espera

Campos metafísicos de admiração
Desejos perturbadores
Bajulação
E em seguida admiradores

Tuas mãos que se exploram
Deslizam por caminhos conhecidos
E bem recebidos
Risos que não demoram
Falsos
Passos dados descalços

Eu traio sua confiança
Você não dá a mínima
Até ri
E então eu percebi
Minha própria desesperança

Mandos e desmandos
Todos errados
Sentimentos escarrados
De forma visceral
Meu eu mais animal
Domina minhas mãos

Não espero que entenda
Falta-me direção
Essa linha que emenda
Minha auto-destruição

terça-feira, 3 de março de 2009

Confortavelmente anestesiado




OLHAR


Grandiosamente falando do meu olhar para a parede

Sensação de importância decrescente

Preso em uma rede

Desminto constantemente o meu eu

Meu juíz interno apenas nega minhas acusações

E me manda para uma prisão própria

Meus cadernos de poesias, rasgados, entulhados em um canto

Meus lápis quebrados

Minhas mãos, atadas

Sono...

Apatia decorrente de uma estranheza

E grandiosamente falo de meu olhar para a parede

Como uma fagulha de esperança

O último ramo de uma árvore em estado terminal

Não se mova

Esqueça das sensações do vento em seu rosto

Existe apenas um espaço entre mim e você

Que nunca será preenchido

Um vão de sonhos e idéias

De promessas e valores

Aonde trafega um rio de incertezas

E eu vejo isso tudo

Sem nenhuma grandiosidade

Apenas com o olhar fixo na parede

Despedaçada e cheia de buracos

Esperando ver uma ponta do sol

Mas ele não vem

Não agora

E nem jamais...

domingo, 1 de março de 2009

Tons que destoam

CANÇÃO DE AMOR



Essa é uma canção
Sem ritmo nem poesia
Retirada do coração
Temperada com maresia

Música dissonante
Alegria entristecida
Muito impressionante
Sua face enrubescida

Fala-me de amor
Mas falta sua entrega
Com medo de sentir dor
Então tu não se apega

Meu violão não tem cordas
Uso ele pra entoar
Um lirismo de cores pardas
Cantar sem encantar

Com um lápis que não escreve
Traço letras imaginárias
Não penso em ser breve
Noite sem luminárias

Quem sou eu para cantar
Sobre algo tão profundo
Jogo pronto pra empatar
No lamaçal mais imundo

Flor que logo morre
Esse era meu presente
Vejo que você corre
Por algo que pressente

Travas para falar
Do mais puro sofrimento
Minhas mãos a afagar
Seu rosto cheio de lamento

Só não espere tons de romance
Nessa canção de amor
Olhe pra mim de relance
E verá minha falta de cor

sábado, 28 de fevereiro de 2009

fOCO ABSURDO estranho





REALIDADE

grande caridade PORCARIA DE REMENDO real imaginário destruído
DESTITUÍDO largado de um lado TOSCO FOSCO IMUNDO INSANO amor falta
praia areia quente PÉS amenidade que basta sua palavra me faz querer vomitar
amo fogo DECIDI UM DIA QUEIMAR MINHA MÃE ela morreu MEU SONHO MAIS ESTRANHO
chamei de meu amor
gostei de andar no vidro SEU IDIOTA QUERO QUE MORRA SEU IMUNDO PORCO MALDITO ODEIO VOCÊ quero saber o porque disso tudo somente por curiosidade
santidade inDEPENDENTE DE ALGUMA TEORIA maluca que você possa dizer quero sair por aí e mastigar o asfalto quente QUERO SABER O PORQUE DAS LETRAS NÃO SE ENCAIXAREM alguma coisa nada aqui FAZ SENTIDO
SABIA QUE VOCE ESTÁ MORRENDO POR FORA eu rio de sua falsidade voce fala de mim pelas costas mas quer me lamber por dentro QUER OLHAR DENTRO DE MINHA BOCA E VER BORBOLETAS VOAREM DE FORMA CIRCULAR eu queria que tudo acabasse bem porém o fogo não deixa falta gente aqui do meu lado eu queria poder arrancar seus cabelos COMO PODE VOCÊ DIZER QUE ISSO NÃO TEM GRAÇA EU SÓ QUERIA SENTIR REPULSA basta de você por aqui eu só sei voar de um jeito MINHAS mãos que sufocam seu cão idOSO QUE JÁ PEDE E CLAMA por paz somente você pode dar um jeito nisso tudo EU ESPERO QUE VOCÊ NÃO ESTEJA pensando em MIM AGORA PORque eu vou matar você se estiver SOMENTE SE VOCÊ NÃO ESTIVER QUERENDO SENTAR DO MEU LADO eu quero tanto um abrigo mas livre do calor só quero frio gelo é bom FAZ BEM VOCÊ DIZER QUE ESPERA UMA COISA A MAIS DO QUE AMOR PORQUE VOCÊ É UM SANTO DESGRAÇADO e eu um dia estava na rua e pensei que tudo poderia abrir e engolir CALMAMENTE adocicado DOCILMENTE docilMENTE menteDOCIL palavras vazando de meus dedos sem conexão MAS QUEM QUER ENTENDER QUE NÃO ESPERE UMA RECOMPENSA NO FINAL somente palavras nada mais desconexidade coisas inventadas CAPS LOCK É UMA TECLA DO TECLADO COM A FUNÇÃO DE COLOCAR AS LETRAS COMO SE ESTIVESSEM GRITANDO mas agora eu estou gritando e ninguém dá a mínima não é como se tivessem que dar mesmo SE FOR PRA LIGAR LIGUE A TV E ACALME SEU ESPÍRITO doe suas calças para mendigos inóspitos na rua joão justino fernandes EU TROCO A TENDÊNCIA DO DIÁLOGO TODA HORA COM MUDANÇAS DE CAIXAS e você acha engraçado e cult CULT CULT É ENGRAÇADO GRAÇA sem graça G R A Ç A que não em aqui dentro estou ficando vazio

vazio

vazio

preto tudo preto nada mais aqui dentro

gastei tudo

GASTEI A MINHA LAMA NÃO TENHO MAIS O QUE CRIAR E NEM TENHO MÃOS PARA TECER

arranquei meus órgãos e isso soa estranho pra quem lê

não tente criar linhas aonde não se precisa de conexões de pertencimentos estranhos e descabidos

de olhos fechados eu falo sobre o nada

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Basta uma palavra errada, e...

CASTELO DE AREIA


Sons que ecoam
Repetidos
Grãos de areia que voam
Meus anseios
Doloridos

Mar
Água salgada
Anda de mão dada
Desejo de estar

Um tropeço acontece
Quando nem se percebe e
Já era
Meu rancor você tece
Acabou a primavera

Ondas impiedosas
Vão e se quebram
Quebram e se vão
Lágrimas caridosas
Pedido de perdão

Escrevo
Gritam por dentro
Meu antro
Com falta de relevo
Pedras que perfuram
Os pés
E o coração

Acordo
E em meu lado
Amarelo ouro
Sentimento duradouro
E então recordo
Estou apaixonado

Passos na areia
Que a maré apaga
Mas sua mão que afaga
Não mais
É alheia
Me pertence

Ou ao menos gosto de pensar assim
Insegurança
Força de vontade para não ver o fim
Do castelo
Areia da esperança

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Não precisa soar a verdade

IMPERFEIÇÃO


É eu sou imperfeito
Não tem que repetir
Você pede meu respeito
Para depois vir ferir

É eu sou imperfeito
Doce ilusão
Ver meu desajeito
Auto-destruição

É eu sou imperfeito
Já é mais um lamento
Fogo em meu peito
Mentiras que invento

É eu sou imperfeito
Falar é muito complexo
Para isso sou eleito
Falta total de nexo

É eu sou imperfeito
Perfeita inquietude
Misture com o malfeito
Veja minha amplitude

É eu sou imperfeito
Não tem mais que frisar
Mas o que não aceito
É você me pisar

Pois essa minha essência
E a minha vivência
Me trazem a lição
Da completa imperfeição

É eu sou imperfeito
Poderia dizer alguém
Mas sem nenhum despeito
Vocês são imperfeitos também

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Desdizendo






GATOS NO TELHADO



Andar cuidadoso
Quase que pesaroso
Não pise em falso
Cuidado
Se cair
Não darei conta do recado

Almofadinhas nas patas
Olhar atento e vigilante
Sensações inatas
E então um caminhar saltitante

Sente-se numa savana
Uma selva toda urbana
Explorador de atitude
Como um bandeirante
Segue seu rompante
Abrindo caminho
Mas sempre sozinho

Agora
Quase lá
Vamos sem demora
Olhe para cima
Quase pode alcançar
O Sol que intima
Todo o seu explorar

Tão longe e intocável
Um mal imperdoável
Este gato sonhador
Com jeito de filhote
Um grande apanhador
Acham que é fracote
Estranham
Mas não passa de fricote

Adeus céu azul
Agora vou para o Sul
Esse é o sentimento
No miado frágil
Entoado sem ressentimento
Pois ele é ágil
Sabe que é hora
De ir embora

Logo a Lua aparece
E o felino faz uma prece
Em seu pensar felinesco
Clama por tranquilidade
E um chão que seja bem fresco
Uma mão que acaricie
E que aprecie
Um motor que não desliga
Quando afague sua barriga

Então acordo
Com inveja dando pontadas
Alegrias não cantadas
Gato enroscado no coração
Querendo um telhado
Para olhar a Lua
Mas que decepção
Nem tenho pelo malhado
E não vivo na rua

Tenho que resolver
Essa minha atração lunar
Não quero ver crescer
Essa angústia laminar

Mais do mesmo




Eu ando muito bem ultimamente.

Minha vida nunca pareceu tão estável quanto agora.

E isso é deveras estranho. Muito estranho.

O que estou mais acostumado é viver as emoções com intensidade. Boas, ruins, não importa quais... minha vida sempre as jogou em minha cara com toda a força possível.

Mas agora, tudo que sinto é uma leve e agradável brisa no rosto.

E isso é muito bom. Afinal, não era por isso que ansiava? Por toda minha vida, pensei em como seria quando tivesse esse momento, e agora que tenho, só consigo definir como já o fiz.

Estranho.

Tão acostumado estou, com a alternância violenta entre o fundo do poço e o paraíso, que até consegui fazer algo de produtivo com isso. Comecei a compor. A escrever. Veja só, de um buraco cavado por mim mesmo, consegui pegar a terra jogada e criar formas com ela.

Entretanto, se não cavo mais buracos, não tenho mais terra. E sem ela, não crio nada.

Porém, não estava eu cansado disso?

Eu não sei... a sensação é de que eu só aprendi a olhar a vida de uma forma. Uma forma nada agradável e positiva. E, além disso, retirei proveitos dela.

Todos os meus lamentos vinham com a esperança de um momento de paz.

O momento chegou, e agora eu não faço idéia de como me portar. Será que preciso de um traje específico para o momento? Traje "Aproveite a vida"? E mais importante: ele demanda o uso de gravata?

Como um animal criado em cativeiro que é liberto, vivo aquele momento inicial após a soltura. Um receio do que está por vir.

Tudo que sei é que a minha produção vai diminuir drasticamente. Afinal, falta-me matéria prima. Então, seja lá quem lia aqui, não estranhe a falta de escritos.

Eu deveria agradecer por estas férias inesperadas.

O problema é que, em meio ao sol brilhante, eu estou usando roupa propícia para um funeral.

Só temo estar acostumado a outros timbres, e perder a paz que estava aqui o tempo todo, por não ter visto.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Difícil escolha





ROSTOS

Hmm...

Qual será minha cara de hoje?

Já sei

A cara da apatia

Vestido de agonia, me armo do ser apático

Estático

Crivado com balas

Falta conteúdo, mas sobram espaços

Gagueira que mistura minhas falas

Já me pesa este adorno

Estorvo incômodo

Cansei, quero trocar

Agora algo mais morno

Por favor, uma face de cinismo

Combina com meu niilismo

Puramente condicional

Contorno tosco

Que me dá um ar fosco

Me sinto algo fundamental

O ponto mais importante do meu sistema

Vazio em seus extremos

Universo pessoal e egoísta

Pois me cansa que insista

Em ser um ponto que me conecta

Meu pensamento que infecta

Basta

Tive identidades em excesso

Mas preciso de uma escolha

Algo que passa o que expresso

Como lápis em uma folha

Entre o cinismo e apatia

Escolho a empatia

Fico sem rosto

Para quando você falar

Eu entender o que é posto

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Uma conversa sobre o nada, pt 2




FOLHAS


Lápis apontado
Folha na mão
Mas é em vão
Estou desapontado

Sopro de idéias
Fagulha criativa
Bagunçada como colméias
Minha mente inativa

Horas incontáveis
Intensa ansiedade
Expressões mutáveis
De minha incapacidade

Falta do que falar
Com uma chama interior
Quero amenizar
Toda essa minha dor

Vejo a luz do dia
Ah a agonia
Largo tudo em branco
Vou lhe ser é franco

Escrevo por ser teimoso
Mas falho em expressar
Não sou rancoroso
Só não sei perdoar

Desisto desta criação
Mas é temporário
Meus monstros no armário
Logo clamam por atenção

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Corrigindo um erro





GRANDE ENGANO



Vias estranhas
Caminho que se pode perder
Luzes intermináveis
Que ofuscam
De formas incontáveis
Grande desfazer

No meio desta avenida
Entre ambos os sentidos
Mão e contra-mão
Alguém que não me dá ouvidos
Quero que elas fiquem
Não ia suportar sua partida

A primeira é altiva
Brinco em dizer
Rio do seu jeito de diva
De cima do seu salto
Parece sempre dançar
Clarão que vem do alto
Por onde passa seu andar

Tem o sorriso escancarado
E se veste graciosa
Mas quando lhe contraria
Sua boca é impiedosa
Enxame de agulhas
Em quem a tenha encarado

Mas não tema esta figura
Pois o que é mais marcante
É que ela chama a alegria
Na sua forma mais pura
Mesmo que ela não saiba
Que o vazio crepitante
Criado por tal tendência
Não tem mais onde caiba

A segunda quase não se enxerga
Escondida
Aonde não se brilha
Parece se lamentar de uma ferida
Sinto pena de sua cara amarga
Vejo-a quase como uma filha
Que faltaram pais
Ou melhor
As mãos de tais
Em seus longos cabelos

Ela sempre teme
Um final que não se sabe
Quando lhe é mencionado
Percebo o quanto treme
Como se tudo tivesse acabado
Queria poder dizer
Que o acabado não se formou
Para que ela pudesse entender
Tudo o que se passou

Pois ela se ocultar
É quase um crime
Faz falta no mundo
E nisso não me confundo
Um riso que anime
Como o desta infante
Que tende a se afastar
Até mesmo nesse instante

Menina e mulher
Ambas entre os caminhos
Desta avenida escura
E iluminada
Um evento paradoxal
Não combinam em nada
Mas dançam de forma igual
Passos sicronizados
Me indago se achara
Aquilo que tanto procura

Falo no singular
Pois não existe confusão
Ambas as pessoas
São a mesma combinação
Menina que some
Mas sorri timidamente
Mulher que consome
E dança sensualmente

Só agora receio
Meu grande engano
Não se pode falar de uma
Sem que outra entre no meio
Vendo ambas em uma só
Sinto algo que emano
Que me retira o pó
De meu interior
Só pode ser o tal de amor
Que todo me desarruma

Cuido da menina
Que vem me abraçar
E vejo a mulher
Nos saltos que são altar
E amo sem impasses
Todas as suas faces

Algo que sempre ilumina




(Pra evitar conflitos, melhor colocar esse "presente" aqui hahahaha)

SOLZINHO

Longe
Na infinita escuridão
Aonde habitam as estrelas
Calor emitido na solidão
Quase não se pode vê-las

Pequeno vibrar de palavras
Trôpegas escusas
Como se sua presença
Sesse algo indesejado
Um incômodo não planejado
Que surge de dentro

Doce desajeito
Um despasso que é perfeito
Mesmo que não se visse
Temeria que partisse
Pois seguindo sua ausência
O inverno chegaria
Não seria coincidência

No escuro que não é espaço
Vejo e ultrapasso
Os muros de marfim
Então vai ser assim

Pois tão brancos como tais barreiras
É o sorriso infantil
Nem o homem mais vil
Falaria asneiras
Diante de sua pequena
Porém não inferior
Alegria nem um pouco amena

Pena ela não entender
Uma mania incessante
Chega a ser tocante
Como quer se esconder

Como o sol que se põe
Sentimento que sobrepõe
Não esconda a sua quentura
Embalada com ar de criança
Com gosto de travessura

Espero que aprenda
E finalmente entenda
Que sua pequeneza
Não tem paralelo
Com o que está no interno
Uma imensa e incontável grandeza
Que ilumina até o inferno

(Parabéns, Débora ^^)

sábado, 17 de janeiro de 2009

Em busca de algo...

SUSPIRO


Quando o quarto fechado
Lacrado
É cheio
De anseio

Gralhas insistentes
Entoam um chamado
Incessante
Incomodam sem cuidado
Mas é de sua natureza
Não se pode julgá-las
Por serem persistentes

Poeira
Sinal que dias passaram
Canto dos que esconderam
Ao menos este pó
Preenche os espaços
Vazios
Sem dó

Suspiro fatigado
O ar que entra nos pulmões
Eu instigado
A me encher com algo
Acabar com os espaços
Nem que seja de vento
Esquecer desse lamento

Mas a pior hora
É quando ele sai
E tudo se esvai
Pois mais uma vez
Eu permaneço
Fechado
Lacrado
E cheio de anseio

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Conversa pra gato dormir




Eu não posso ter gatos.

Gatos são meus animais de estimação favoritos. Eles tem muito a ver comigo. Eu gosto de cachorros, mas eles são muito dependentes. Gatos não. A arrogância deles me fascina. É como se eles estivessem permitindo você de viver junto com eles. Veja que petulância... uma bola de pelos fofa como essa agindo como se mandasse no pedaço.

Também partilhamos da curiosidade. Gatos estão sempre alerta para com o que acontece ao seu redor. Parecem sempre estar buscando algo novo. Um barulho, por menor que seja, é o suficiente para atrair a atenção dos felinos.

Não posso negar que também compartilhamos de uma característica nada honrosa: a preguiça. Não tem coisa melhor que esticar em algum canto que seja e dormir umas boas horas de sono. Ainda mais grudado em alguém.

Mas, no fundo, gatos são carentes. Para um estranho, para alguém que não convive, eles podem parecer ignorar sua presença, podem parecer não gostar de companhia e nem fazer questão de alguém em volta. Mas, basta dar tempo ao tempo, conviver com a peça, que logo o bichano se mostra extremamente necessitado de atenção e cuidados. Você nem precisa pedir pra fazer carinho: ele mesmo já vem sozinho e pula em suas mãos, suas pernas, colo, e se enrosca por lá mesmo.

Esse é um escrito bem besta. Não tenho nenhuma poesia em mente. Nem um pseudo-conto. Só mais uma reclamação.

Eu não posso ter gatos.

E como aquelas coisinhas fazem falta. Me sentia realmente entendido com eles. Sempre em busca do seu espaço. sempre em busca de saber o que está acontecendo. Eternos filhotes, que se divertem com as coisas mais insignificantes. Que chegam sem meias palavras e se enroscam em alguém que sentem que podem confiar.

Acho que no fim, escrevo isso para aqueles que gostam muito de algo, mas não podem ter. A vida é feita das coisas pequenas, dos pequenos detalhes. Bobeiras que enchem o dia de diversidade. Cores esparsas que só fazem diferença para nós mesmos.

Nossa aquarela particular.

Na minha, sinto falta de uma cor de gato.

Eu não posso ter gatos.

O que falta na sua aquarela?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A fonte da perversão




SADISMO


Fontes abertas sem repressão
Mar de ossos
Minha mente esvaída em poços
Dentes crivados
Marchem soldados
Cumpram sua missão

Ele dança com o estranho
Apontando o julgamento
Morte no firmamento
Grandes salões de crueldade
Executor sem piedade
Termina com o rebanho
Com uma fé descabida

Violando os falecidos
Quase todos renascidos
Nas brumas que não terminam
Passos que me fascinam
Lâmina impiedosa
Um lago de tristeza
Sinfonia quase que lamentosa

Ai daquele que cultua
Seus pecados mais profundos
Podem correr eternamente
Caminhar para outros mundos
Pele estampada em arames
Retorcida continuamente
Já não mais se insinua

Produto de um crime
Que tentei esconder
Não quero que mime
Com seu balé profano
Que me deixa insano
Peço que termine
Desisto de entender

Fim de meu servo sem piedade
E da minha vida sem validade

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Brincando com o oculto...






SUSSURROS


Terror embalado em gritos
Sadismo
Força que distorce os fatos
Minhas mãos caleijadas
Que rasgam o véu
E criam um abismo
Nuvens que enegrecem o céu
Marcha de pessoas aleijadas

Ponho fogo nos papéis
Risadas
Chamas tão aguardadas
Sangue de crias abortadas
Eu cheiro a sua repulsa
Tua mão que me expulsa
Sou sua criação
Fui chamado pelos menestréis
Me cultuam
Em adoração

Costuro seus lábios
Pois você fala demais
É hora de ouvir
Brotando da parede
Sussurros
Sutis como murros
Maldições de demônios sábios
Fome repulsiva a surgir

Você me diverte
Teu sofrer é uma arte
Não adianta
Nada mais me espanta
Gritos
Quase que infinitos
Praguejando obscenidades
Sua mente perde as faculdades
Espelho em pedaços
Fragmentados
Em teus braços
Encrustados

Marcha fúnebre
Em meu quarto lúgubre
Empossado por névoas entristecidas
Roupas enrubrecidas
Do que era um viver
Sussurros
Quase como urros
Satisfeitos de prazer
Adentram meu pensar quebrado
E me deixam entenebrado
Doce sensação de poder

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Para fins póstumos... parte dois

Desenterrando velharias. Isso era pra ser uma música.

IT'S THAT TIME AGAIN


This is just you and me
There's no escape now
Don't deny your desire
It will only get higher and higher
Blood is life, our fate
I don't see why this hate
Where's your voice?
Do you have a voice?

This is just me and you
I want to escape
This is not my desire
But my anger get's higher and higher
Life should not be put to waste
But i can't get enough of this taste
I hate you
Just leave me alone

We can't forget
And we can't be forgiven
Murder is just a gift that was given

But what do we do with this guilt?
All that life of sadness we built
God turned his back on us now
I will just try to forget it all

We can't forget
And we can't be forgiven
Murder is just a gift that was given

See, it is that time again
Fill yourself with disdain
There's no love
From above
End it now

Para fins póstumos...

Salvando aqui porque fiz questão de perder o original. Um poema que fiz pra uma amiga muito querida, dona Emiliana ^^

THE GIRL THAT HAS TO WAIT

Expression
Lack of possession
She goes in all ways wrong
I just wonder how long

Her mind it's nowhere near
But i don't think she cares
It's living in the land of fear
Waiting for someone who dares
To save her from all that

Strong but fragile
I wish i could be agile
To quickly grab her hand
And make her understand
That she won't be alone
When those ones are gone

I hope she doesn't wait
Until she's thirty eight
To finally realize
You don't need to analize
That you just have to love yourself
But she'll have to understand that herself

Chegando ou saindo?

FUGA



Um grito.

Ouço um grito.

Estava eu sentado na calçada. Era noite.

E então, um grito.

Procurei com os olhos, mas... nada. Apenas pessoas que caminhavam alheias dos seus arredores.

Fiquei preocupado. Foi um grito rápido. Não consegui perceber se era um grito de alegria. Ou de medo. Seria alguém que estava infeliz? Ou, muito pelo contrário, alguém extremamente feliz?

Olho ao redor, novamente. Jogo a responsabilidade de tal grito nas costas dos transeuntes, mas eles não parecem se incomodar. Malditos inconsiderados. Ninguém liga. Só eu ouvi.

Um mártir perfeito.

Foi um daqueles momentos dúbios, aonde o corpo não sabe que caminho seguir. Chamo alguém? Não faço nada? Vai que era só alguém que bateu o pé...

Perguntas que invadem minha cabeça. Que me impedem de agir.

Quantas fugas estaria tramando ali, naquele momento? Fugir de minha apatia, ao ir atrás de tal grito. Fugir de comprometimentos, ao procurar desculpas para não agir.

Fugas e mais fugas... cada ação é uma fuga de um estado anterior.

É diferente quando temos uma motivação. Pois não estamos, então, correndo de algo. E sim, para algo.

Chegando. E não saindo.

E, naquele momento, não havia motivação alguma. Era um grito a esmo.

E eu, na calçada, alguém a esmo.

Sem nada nas mãos.

Não deve ser nada para me preocupar.

Dito isso, fujo.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Aquele não saber o que fazer...




MERECER


Um instante
Um olhar
Um rompante
Vou falhar

Toques rasos
Meus arrasos
Turbilhão
Vou ao chão

Tanto se espera
Pois tu me esmera
Isso espanta
Não encanta

Peso na palma
Não te acalma
Decepção
Desilusão

Sei o que devia
Essa é a agonia
Não reagi bem
Acha que foi desdém

Não perca tempo
Ando no campo
Sem direção
De coração

Um grande idiota
Brincando de encontrar
A vida como agiota
Só espero não falhar

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Sem isso, nada faz sentido

PROPÓSITO


Velho novo ano
Me sinto um grande insano
Chamem-me de apático
Mas eu sou muito enfático
Pra mim, nada mudou

Altera-se os números, mas não a gente
Promessas que vem e vão
Momento propício da decepção
Correntes jogadas de repente
Pra mim, nada mudou

Um sorriso apertado
Um aperto disfarçado
Discursos decorados sem profundidade
Abraços sem alguma intimidade
Honestamente, o que mudou?

Um feliz momentâneo
Que não sei aproveitar
Esperança instantânea
Que só posso invejar
Quero sentir que algo mudou

Dois mil e nove
Seu nome não me comove
Pois já passei por outros mil
E senti sua lição sutil
Lutar pra ver que algo mudou

Espero que não seja apenas eu
Que tenha este aprendizado
Pra que agarre-se ao que é seu
E ignore o discurso falado
Que de repente tudo mudou

Porém, já basta
Também fiz parte da festa
Não sou tão ranzinza
Meu mundo não é tão cinza
Vejo que realmente algo mudou

Quero agradecer a todos
Que passaram por minha vida simplória
E fizeram a minha glória
Entender os meus modos
E poder dizer: algo mudou

Feliz ano novo ^^