terça-feira, 15 de dezembro de 2009

E se vão os amigos
E se vão as promessas
E se vão os momentos
E se vão as histórias
As idéias e planos
Mirabolantes e insanos
As grandes criações
E estranhas invenções
E se vão os amores
E se vão os dessabores
E se vão as tristezas
E se vão as alegrias

E se vão... em vão...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009



ENTENDER


Sopro solto de verão
Abismo sem um mar
Me pergunto se verão
O altíssimo desandar

Sopro solto de inverno
Água adentro vou nadar
Com um gosto de inferno
Pra areia borbulhar

Sopro solto de outono
Crie tudo que quiser
Chega até me dar sono
Fantasia o que vier

Sopro solto de primavera
Não tem como consolar
Já que tudo que espera
É um sonho pra te salvar

Fico aqui a entender
Com quatro estações distintas
Teu inverno faz a neve derreter
Como espera que me sintas

Não temo nenhum girar
E nem a tênue aspereza
Mas não quis me adentrar
Nas estações da incerteza

domingo, 29 de novembro de 2009

Sombreada por folhas gigantes
Assobios cantarolantes
Tu vens até meu recanto
Invade
Sopro divino
O Criador em um momento
Chamado de vento

Bagunçando as folhas
Movendo os teus cachos
E brincando com os panos
Teu lugar não é aqui

Um vendaval
Criação de uma angústia
Cores fibrilantes do carnaval
Em uma mente inconstante
Que quer constar em um instante

Não temo o vendaval
Nem tua inconstância
Temo os trovões
No meio da ventania
Pois retiram as cores
E acabam com a alegria

Mas como tua própria essência
Tendes a passar
Mesmo que lamentes
Fugindo de se amar

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um movimento brusco e tudo fica borrado


NANQUIM


Foi-se o tempo da certeza
Da espera de um lugar
Um recanto da tristeza
Uma vida sem luar

Com teus traços rudes
Marca teu território
Com papel espera que mudes
Que me retire do purgatório

Mas um passo em falso
E pronto
O tinteiro derramado
Marcas de nanquim no papel
O dia ensolarado
Enegreceu
O passado que você não esqueceu

Me faltam folhas
Para recomeçar a história
Queria apagar da memória
O desenho em preto e branco
E colocar talvez
Uma luz de sensatez
Em tons de amarelo-ouro

Caligrafia artística
Bote o teu nome no canto
E não espere algum espanto
Se ele já estiver por lá
Sensação mística
De que um milagre aconteceu
O branco entrou no preto
E o ouro se intrometeu

Com esta carta negra de tinta
Espero que enfim tu me sinta

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Cercado

AVES DE RAPINA


Para um transeunte
É apenas a natureza em ação
Esperam que eu me junte
Pegue os pedaços do coração

Chega um momento
Que se entristece
Sem nenhum intento
Simplesmente... acontece

E os males ficam a espreita
Como aves de rapina
A pessoa mal suspeita
Quão trágica será a tua sina

Basta um segundo
Um leve dissabor cotidiano
E você atrai todo um mundo
É muito fácil ficar insano

Já nem sei do que reclamo
No solitário momento de tristeza
Talvez seja isso que eu amo
Viver imerso na incerteza

E no escuro da meia-noite
Rezo pela redenção
Dos pássaros e teu açoite
Mas só encontro decepção

Como um prédio desmoronado
Ande nem vigas se firmam
Fico aqui desgastado
Pelas mazelas que se armam

Amargura sem igual
Mas... logo passa
Até o próximo vendaval
Não importa o que faça

Mais uma vez...



DÉJÀ VU


Mais uma vez conta-se a história
A história conta-se mais uma vez
Conta-se mais história uma vez
Uma vez conta-se mais história

A repetição da repetição da repetição da repetição...
Farto
Sentimentos tolos e indisciplinados
Que teimam em me fazer de idiota
Mares vermelhos são cortados
Tudo soa como uma anedota

Mais uma vez...
Mais uma vez...
Mais uma vez...

Brinco de repetir o repetido
E busco nisso tudo um sentido

No final a lembrança plena
Serei apenas uma página virada
Aonde as cores permanecem na retina
Mas minha pintura é tão inacabada
As mãos que folhearam o livro outrora
Agora buscam uma vida mais serena
Antes este sorriso de menina
Era meu

As cores mal feitas
Que não encontrarão um lar
Mas eu sei que amanhã
Meu capítulo estará também virado
E minhas malas nem estão desfeitas
Pois o novo conto já estou a relatar
É idêntico ao anterior
Isso me deixa inconformado

É o retrocesso
Repetir o processo
A sensação de regresso
E só o que peço
De você nunca me despeço...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ainda bem que é quase imperceptível



SUSSURROS DE UM EGOÍSTA


Lamentação constante
Porém olhe pro lado
Não verá uma fonte de lamento
Mas a boca incessante
E o olhar cabisbaixo
Já entrega o veredicto
És um egoísta convicto

Reclamar do reclamar
E o vazio esvaziar
É a lida diária
Contemplação exclusiva
Do negativismo
Um grande niilismo

Me sinto culpado
Tanto a celebrar
E o poço ainda me atrai
Me sinto cansado
Tanto a completar
E o vazio me esvai
Me sinto soterrado
Tanto pra alegrar
E meu corpo me cai

Nos momentos de angústia
Apenas a certeza fúnebre
De uma incerteza
Me falta grandeza
Até para certo estar
E então sussurro para mim mesmo
Num sopro infinito do lamentar