quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um movimento brusco e tudo fica borrado


NANQUIM


Foi-se o tempo da certeza
Da espera de um lugar
Um recanto da tristeza
Uma vida sem luar

Com teus traços rudes
Marca teu território
Com papel espera que mudes
Que me retire do purgatório

Mas um passo em falso
E pronto
O tinteiro derramado
Marcas de nanquim no papel
O dia ensolarado
Enegreceu
O passado que você não esqueceu

Me faltam folhas
Para recomeçar a história
Queria apagar da memória
O desenho em preto e branco
E colocar talvez
Uma luz de sensatez
Em tons de amarelo-ouro

Caligrafia artística
Bote o teu nome no canto
E não espere algum espanto
Se ele já estiver por lá
Sensação mística
De que um milagre aconteceu
O branco entrou no preto
E o ouro se intrometeu

Com esta carta negra de tinta
Espero que enfim tu me sinta

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