terça-feira, 16 de setembro de 2008

O que fazer?

PÁSSAROS NA JANELA

Eu não tenho mais janelas. Quebrei todas. Eu honestamente vi que elas não me serviam de mais nada. Então, com um martelo, quebrei todas.

Mas, de nada resolveu. Ainda continuaram os buracos. Janelas quebradas são perigosas. Cheias de cacos, farrapos, pedaços de uma abertura que outrora você controlava.

Mas agora, não mais.

Então eu jazi ali, parado. E decidi que era hora de fechar minhas janelas.

De súbito, um pássaro pousou em uma das minhas janelas quebradas. Cacos refletiam suas formas. Mil deles estavam ali, as janelas diziam, com seu jeito reflexivo de demonstrar as coisas. Vidros que são transparentes, mas refletem.

Havia um pássaro em minha janela quebrada. Eu pensei em afugentá-lo. Que insolente! Não lhe dei direito pra sentar nos cacos de minhas aberturas. O que você quer?

O pássaro perigosamente saltitava por redor dos restos que ali estavam, esparramados. E então me preocupei.

Me preocupei porque seria muito egoísmo deixá-lo ali. Ele não tem como saber que ele pode se ferir.

Lentamente, me aproximei. E estendi meu dedo. O pássaro, graciosamente, deu um pulo e sentou em meus dedos.

Mas que bastardinho folgado você, não? Entra dentro de minhas aberturas, clama por um espaço, e agora invade meus dedos. Eu ria, pois em sua simplicidade animal, ele apenas deveria pensar que aquilo era um galho.

E que eu era uma estranha árvore móvel.

Sentado ali, envolto de pedaços de vidro e madeira... eu era uma grande árvore móvel. E eu me senti feliz.

Danem-se minhas janelas quebradas.

Eu agora só quero que os pássaros venham.

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