quarta-feira, 9 de março de 2011

Não podia faltar




Entre um poema e um pseudo-conto, apenas algumas palavras:

Parem de se preocupar com a vida alheia.

Letras e mais letras são gastas condenando este festejo que, honestamente, não me chama atenção.

Já fiz parte dos condenadores de carnaval, falando como ele estereotipa o país, todo o gasto de dinheiro, blá blá blá... mas hoje percebo que isso era extremamente vazio.

Quem gosta de carnaval, não vai dar a mínima se você não gosta. E não é porque eu e você não gostamos que agora fazemos parte do mesmo clube secreto de pessoas superiores e conscientes da nação.

Se você não se diverte com carnaval, leia um livro, toque um instrumento, medite, faça algum tipo de caridade, mas por favor, não gaste dedos reclamando. Pois ano que vem, tudo estará aqui de novo, e esse inconformismo apenas lhe fez perder alguns minutos da vida atoa.

Reclamando dos reclamadores, ó ironia.

Disto sempre sou acusado



CRIME

Minha vida é um crime
Uma contravenção penal diária
Penalizo a minha vida criminosa
Dia-a-dia de dor hilária
Minha voz temerosa
O claustro é meu regime

Não sabe a falha que cometera
Ao estender sua mão
Será em vão
Pássaros a debandar
Fogem para além da queimada
Sua face inconformada
Me diz além do falar

Se Deus semeia a Terra
É buscando frutos colher
Mas uma árvore que não se enterra
Nada pode oferecer
E se nem o nascer ela imprime
O veredito é dado
Seu viver é um crime

Entre tanto sofismo
Curvas de dizer doentio
Queria dizer só que temo
Acordar e estar vazio
Sem raízes para me firmar
Vivendo um novo crime
De viver pra lamentar

Que surpresa...



Olha, eu as vezes sumo daqui, então nem percebi os recados deixados falando sobre isso. Iniciativa interessante, gostei.

Infelizmente, não conheço muitos blogs pra recomendar haha. Listarei 2 que me apetecem então, e peço desculpas por não poder seguir a risca o combinado haha:

O Flautear das Marés

Acid Life

Nome: Pedro de Falco Fernandes
Uma música: Terry Oldfield - Om Shanti
Humor: Flutuante, introspectivo-falador (ou seja, falo de tudo, menos de mim)
Uma cor: verde
Uma estação: outono e inverno
Um seriado: No momento... House
Frase e/ou palavra mais dita por você: "Sei lá..."
O que achou do selo: Gostei bastante, acho que é no mínimo uma forma de divulgar blogs de pessoas que buscam essa divulgação.

domingo, 9 de janeiro de 2011

EU QUESTIONO

Eu questiono
A pálida face do luar
Questiono também o amar
Carregado de pedras
Jogadas dentro do mar

Eu questiono
O suspiro apaixonado
Um olhar que me é jogado
Em nome de um receio
Quanto medo instigado

Eu questiono
Meu talento para a intriga
Quanta dor que te castiga
Para ter o meu abraço
Entoando a mesma cantiga

Eu questiono
Porque tanto questionar
Mas questiono sem falta
Porque tanto se incomodar
Com meu pensar em voz alta

domingo, 2 de janeiro de 2011

Simples



QUANDO FALO POR FALAR


Meu mundo interno
É escasso de imagens
Gritos de uma névoa de inverno
Palavras e mais palavras
Meu eu e suas chantagens

Ao passo que insisto
Por leves etiquetas
Há muito eu não resisto
Devia usar plaquetas
Exprimindo meu pesar
A busca de um falar
Ter ordem nas gavetas
Tão cheias
Idéias sem expressar

Uma mão invisível
Em forma de anedota
Meu medo mais sensível
Rasgado
sou um grande idiota
Eu realmente creio
Que faço algo que valha
Mas tudo é um mero anseio
De ligar minha alma falha

Ligue os pontos e faça
Um desenho que se embaça
Papéis em meio a traça
Nada com conexão
Num mundo sem amigo
Faço comigo a comunhão
E do meu desejo me desligo
Falar apenas por falar
Sozinho na multidão

quarta-feira, 2 de junho de 2010

quinta-feira, 29 de abril de 2010


MARFIM

Outro dia estava sentado na frente de minha casa. De formas que não se faz mais hoje em dia, hábitos curiosamente apagados por tristes dias contemporâneos.

Há uma certa leveza em se sentar na frente da sua casa. Observar os transeuntes, cada um deles carrega em seu andar, gestos, roupas... uma história. São como histórias ambulantes caminhando bem diante de nós. Por frações de segundos, podemos contemplar aquela história particular, ali, em nossa frente. De graça.

A pé ou em veículos, sejam bicicletas, carros, motos, carroças... são histórias e histórias ali, uma biblioteca viva. Olhássemos profundamente para estas pessoas, poderíamos, quem sabe, comungar de alguns momentos que seus olhos deixam transparecer...

E sentado na frente de minha casa, muitas histórias acontecem. Quando uma história encontra outra história, se torna um épico. Não falo de pessoas caminhando juntas, mas sim, dos acasos. Quando um vizinho joga-lhe água sem querer. Ou uma buzina direcionada para as doces curvas de uma garota. Quem sabe, quando um cão resolve farejar o lixo.

Um mini-épico se forma, a colisão de histórias totalmente diferentes. Em instantes, mundos opostos se confrontam, uma amálgama de roteiros escritos cada um de sua forma peculiar.

Desses encontros, podem surgir vários épicos. Épicos de guerra. Épicos de tragédia. Épicos de amor. Para a pessoa distraída, são apenas acontecimentos aleatóris, mas que engano... histórias realmente motivadoras, dramáticas, inspiradoras, podem acontecer do acaso, na frente de sua casa.

Quantas histórias estão acontecendo nesse momento, geradas por acaso?

Por esbarrões que simplesmente aconteceram pois você achava que teus ombros não eram lá tão espaçosos.

Por estar distraído no carro, e quando se vê... senhor, quase uma tragédia. Ou sim... uma tragédia.

Por palavras que saem em disparada da boca, em um momento aonde o instinto toma as rédeas e... pronto. Sua história não é mais sua, naquele momento. Ela se funde a de uma outra pessoa. É como um pequeno filho, gerado sob a luz de vários sentimentos que ora se opõem... ora se unem...

E, observando tantas histórias acontecendo, me faz pensar se não existe um quê de "superior" nisso tudo. Chame de Deus, Cosmo, Universo... mas, gosto de imaginar que existe uma "mão" que a todo o tempo está nos empurrando tais acasos. Um escritor maior, que adora enredar contos diferentes em uma saga maior. E, sendo criativo como é, o faz com ares inusitados. Criatividade boa. Criatividade amarga. Criatividade, no fim.

Talvez seja apenas idealizar o pequeno, fútil. Mas, lembro de teu sorriso, de tuas mãos mais rápidas que o pensamento, que falaram antes de você falar... e da paz cor de marfim que você emana.

Um conto de acaso enredado em mares de graça e entusiasmo.

Logo me pergunto se é assim. Se, no fundo, não há marfim, não há épico, nem mãos e nem sorriso. Apenas minha vã filosofia em frente a acontecimentos irrelevantes. Um navegante sedento por sentido nas ondas que trafega.

Apenas um sonho.

Não tem como ser.

Mas toda noite, ao deitar, peço para o grande escritor invisível, para que eu continue sonhando acordado. Para que, ao dormir... que não acorde do meu sonho de olhos abertos. Que eu viva eternamente o inesperado acaso. O épico de duas histórias vagantes, por mundos e vias errantes.

Pois já vivi deveras na vida real. E agora, meu real é o onírico. Os braços de Morfeu abraçam as janelas esquadrinhadas da verdade. Tudo se mistura.

Que eu viva eternamente este despertar para o sonho eterno!

E em meu mundo de sonhos...

Dedos entrelaçados sob o marfim do luar...

Nunca se separam...