NÃO FALAR
É. Quando não se tem o que falar. O que se fala na ausência de palavras?
Eu sinto que existe uma força que me impulsiona a escrever. É com um fogo interno. Mas o que não é agradável, é que pra alimentar esse fogo, o combustível sou eu mesmo.
Minhas decepções, minhas lamúrias, minhas incertezas, meus medos, minhas tristezas... e nenhuma luz de alegria. Só me sinto capaz de escrever algo que ache remotamente decente quando estou assim.
Mais alguém sente isso?
Espero, honestamente, que sejam poucos. Porque é uma droga. Você sente que só consegue colocar ordens nas palavras quando elas estão desordenadas dentro de si.
É como se todos esses sentimentos negativos fossem argila, e ela fosse pesando dentro de você, até que você decide dar uma forma nessa massa primordial. E a forma sempre tem a ver com alguma porcaria de imagem ruim que você tem guardada na cabeça.
Não que me considere um escritor, um poeta, um algo... mas, será que o que define um criador de arte é a capacidade de se desconectar de si mesmo na hora de escrever? Eu sinto essa necessidade. Tudo que produzo é tirado de dentro de mim, e sai com minha forma. Sinto que escrevi coisas mais ou menos próximas de mim, mas nunca distantes.
Ou será que, na verdade, é isso que define?
Eu não sei... e não tenho pretensões de dizer que sei. E nem de ser considerado um criador de algo.
Eu só escrevo. Só isso.
E atualmente, não me faltam sensações ruins. Me faltam palavras ruins para descrevê-las.
Preciso, quem sabe, de um novo dicionário...
Há 10 anos
Um comentário:
Seria a arte de se desconectar do mundo ou a arte de mostrar uma parte do labirinto da sua mente?
Será que não é os dois?
Não sei a resposta...
Em todo texto existe uma fagulha do autor, do texto mais alegre ao mais triste.
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